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Mapa global ilustrando anomalias de temperatura nos oceanos Pacífico e Índico
Clima e Energia

O duplo choque climático de 2026: por que El Niño + IOD colocam o risco no Brasil em novo patamar

Publicação

20 de maio de 2026

4 min de leitura

Foto: Representação de anomalias climáticas globais

O duplo choque climático de 2026: por que El Niño + IOD colocam o risco no Brasil em novo patamar

Modelos climáticos vêm convergindo para um cenário relevante para o inverno e a primavera: aumento da chance de El Niño e, em paralelo, possibilidade de IOD (Dipolo do Oceano Índico) em fase positiva.

Essa combinação pode reorganizar padrões de chuva e temperatura no Brasil — com efeitos importantes para energia, agricultura, recursos hídricos e gestão de riscos.

O que os modelos indicam para o El Niño

Segundo projeções de centros como NOAA e IRI, a probabilidade de formação de El Niño fica acima de 70% entre junho e agosto de 2026, podendo se aproximar de 90% na primavera. Em termos de intensidade, parte dos cenários aponta para um evento entre moderado e forte (Figura 1).

Gráficos de linhas horizontais mostrando as anomalias observadas e as previsões do ENSO (Nino34) por diversos modelos climáticos, indicando tendência de aquecimento

Figura 1 - Previsão do ENSO por vários modelos climáticos. Fonte: Arquivo do autor.

Na prática, já se observa aquecimento gradual no Pacífico equatorial. Ainda assim, vale o alerta: projeções sazonais mudam com relativa frequência — especialmente quanto ao timing e à intensidade do fenômeno.

E o IOD (Dipolo do Oceano Índico)?

Além do El Niño, modelos também vêm sinalizando a formação do IOD em fase positiva entre o inverno e a primavera (Figura 2).

Esse padrão de teleconexão, embora menos discutido fora do meio técnico, pode influenciar a circulação atmosférica e reforçar (ou modular) efeitos sobre precipitação e temperatura em diferentes regiões do planeta — incluindo a América do Sul.

Gráficos de linhas horizontais mostrando as anomalias observadas e as previsões do IOD por diversos modelos climáticos, indicando tendência de fase positiva

Figura 2 - Previsão do IOD por vários modelos climáticos. Fonte: Arquivo do autor.

De forma simples, o IOD é definido pela diferença de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) entre o oeste e o leste do Oceano Índico. A Figura 3 ajuda a localizar as principais regiões associadas ao El Niño (Pacífico) e ao Dipolo do Índico.

Mapas mundiais destacando as áreas de monitoramento do ENSO (Niño 4, Niño 3.4, Niño 3 e Niño 1+2) no Oceano Pacífico, e as áreas Oeste e Leste do Oceano Índico para o IOD

Figura 3 - Regiões de formação do El Niño e do Dipolo do Índico. Fonte: Arquivo do autor.

O que essa combinação pode significar no Brasil (sinais típicos, não “garantias”)

Estudos apontam que, durante a fase positiva do IOD (TSM oeste > TSM leste), pode haver maior frequência de altas pressões anômalas próximas à costa do Sudeste e do Nordeste. Isso tende a favorecer episódios de bloqueio atmosférico, especialmente na primavera.

  • Sudeste e Centro-Oeste: maior risco de períodos mais quentes e com redução de chuvas durante bloqueios (impacto em reservatórios, estresse térmico e janelas de plantio/colheita).
  • Sul: aumento da chance de eventos de chuva mais frequentes — o que eleva atenção para cheias, deslizamentos e perdas agrícolas.
  • Operação e planejamento: cenários de extremos opostos (seca/chuva) pedem monitoramento mais próximo.

Mesmo com a persistência desse sinal em diferentes modelos, é importante reforçar: El Niño e IOD ainda estão em evolução, e as projeções mensais podem mudar — principalmente em intensidade. Além disso, cada evento de ENSO e IOD são únicos e podem diferir de casos históricos. Por isso, o mais prudente é acompanhar as próximas rodadas de previsão e os dados observados de oceano e atmosfera.

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